Francisco de Assis

*Não é uma mera pregação religiosa,  é um resgate histórico (Leia a nota de rodapé)

Além da Personagem de Jardim

Muitas vezes vemos Francisco de Assis apenas como uma estátua de gesso decorativa. Mas a história real de Francisco é a de um revolucionário espiritual. Muito antes dos movimentos reformadores que conhecemos, Francisco já protestava contra o monopólio da fé e as estruturas rígidas das instituições que funcionavam como grandes corporações — os “CNPJs” da Idade Média. Seu protesto silencioso era em forma de atitude na vida real, não de pregação em templos.

A Primeira Igreja Protestante do Mundo: 308 anos antes de Lutero

Embora a história oficial ligue o protestantismo a Martinho Lutero (1517), a essência do protesto contra o controle religioso nasceu muito antes. Francisco de Assis viveu entre 1181 e 1226. Enquanto a igreja de sua época se consolidava como o maior poder político e financeiro da Europa, Francisco surgiu como uma voz de ruptura. Ele não aceitava que o acesso a Deus fosse mediado por luxo e dogmas. Sua “igreja” não tinha paredes; era o Evangelho vivido na prática, no meio da natureza.

O Despojar das Riquezas: O Exemplo de Jesus na Prática

Diferente daqueles que buscam prosperidade ou cargos, Francisco levou a sério o exemplo pregado* por Jesus. Despojou-se literalmente de toda a riqueza para viver na simplicidade. Ele entendeu que, para estar perto do Criador, não era necessário um templo luxuoso, mas sim um coração livre e uma vida de cuidado com a criação.

As Almas Viventes como Irmãos

A visão de Francisco era fundamentada no relato de Gênesis. Ele não via os animais como objetos, chamando-os de “Irmão Lobo” e “Irmã Cotovia”. Ele compreendeu que humanos e animais compartilham a mesma origem divina como almas viventes (nephesh chayah, Gênesis 1:24). Para Francisco, tratar a natureza como “irmã” era uma forma de honrar o Pai de todos.

O Tempo Kairós: Vivendo Fora do Sistema

Enquanto a maioria vive no tempo Cronos — presa ao sistema de contas e burocracias —, Francisco habitava o tempo Kairós. É o tempo da conexão direta com o divino. Ele via o mundo com os olhos da eternidade, onde o que importa é a compaixão e a liberdade de ser quem Deus nos criou para ser, sem as amarras de sistemas que buscam o monopólio da verdade.

Nota Teológica: Origens Distintas e o Mesmo Fôlego

Ao analisarmos Gênesis, percebemos caminhos separados: os animais emergem da terra e das águas por ordem divina (nephesh chayah), enquanto o homem é formado do pó com o sopro direto (nishmat chayyim). No entanto, em Eclesiastes 3:19, a Bíblia nivela essa existência ao afirmar que ambos possuem o mesmo fôlego. Não estamos inventando, mas lendo as entrelinhas: se o fôlego é o mesmo, a dignidade espiritual é compartilhada.

O Destino e a Possibilidade da Reencarnação

Enquanto o destino humano está atrelado ao julgamento, a Bíblia é silenciosa sobre o “pós-morte” animal. Por serem frutos da vitalidade da Terra e estarem livres de pecado, os animais mantêm uma pureza original. Isso sugere que seu ciclo pode seguir leis de renovação: a alma animal pode perfeitamente retornar em novas formas, reencarnando para continuar sua missão de amor e companhia, sem as amarras do julgamento reservado à humanidade.

A Natureza Angélica das Almas Viventes

Notamos semelhanças profundas entre animais e anjos:

Pureza Original: Diferente dos humanos, animais e anjos compartilham uma pureza inata. Em Salmos 104:4, anjos são “espíritos e chamas de fogo”. Os animais vivem em total harmonia com esse propósito, sem o “ego” da queda humana.

O Elo da Castração: Jesus mencionou que os anjos “não se casam nem se dão em casamento” (Mateus 22:30). Ao castrarmos um animal, interrompemos seu ciclo biológico; eles passam a viver exclusivamente para o serviço e o afeto, assemelhando-se à natureza dos anjos, que existem para servir ao Criador.

Conclusão: Anjos de Quatro Patas

Diferente da imagem limitada (criada segundo a ótica humana) de seres com asas, a natureza do anjo é a de uma consciência espiritual que habita o tempo Kairós e se materializa conforme a vontade divina. Por possuírem o fôlego puro e estarem livres da cegueira do pecado, os animais operam nessa mesma frequência: são seres multidimensionais que transitam entre a nossa realidade física e o domínio espiritual.

Eles não precisam de asas; sua fidelidade prova que são mensageiros de Deus ‘vestidos de pelagem’, servindo como pontes vivas entre o céu e a terra. Seguir o exemplo de Francisco hoje é reconhecer que a nossa espiritualidade é vivida no respeito a cada animal. Os animais são, de fato, nossos anjos de quatro patas, refletindo a luz divina que o mundo muitas vezes esqueceu.

Um Legado de Amor: A Feliz Coincidência

O projeto Animais são Anjos e este portal, Eu Falo Portugatês, não existiriam sem a semente plantada por seu patriarca, Nardino Francisco de Oliveira (28/02/1919 – 08/06/1993). Há uma feliz e sagrada coincidência que une o nosso precursor ao “Irmão das Almas Viventes”: Francisco de Assis nasceu como Giovanni di Piero di Bernardino (ou Pietro di Bernardone). Ao honrarmos o nome “Bernardino”, celebramos não apenas o santo, mas a memória do Sr. Nardino, que nasceu no alvorecer da paz após a Primeira Grande Guerra e partiu em pleno mês da ecologia. Para nós, essa conexão reforça que o cuidado com os animais é uma missão que atravessa séculos e gerações, unindo o céu e a terra em um único idioma: o amor.

*Nota do autor

Este site recebe visitantes de países onde o Cristianismo não é muito difundido e a ideia de falar de Giovanni é a de reparar um erro histórico cometido pela Igreja Católica. Queremos fugir do “clichê religioso” para entregar uma análise que mistura exegese bíblica (estudo profundo das escrituras), história contestadora e uma homenagem pessoal emocionante.

Giovanni Bernardone, de fato, “protestou” contra a opulência da Igreja Romana da época através do exemplo (a Via Negativa). Isso é fato: as datas do surgimento do Protestantismo são irrefutáveis, com 308 anos de diferença entre Giovanni e Lutero. O desejo de retornar à pureza do Evangelho (o Sola Scriptura que Lutero defenderia depois) já era vivido por Giovanni três séculos antes.

Prática vs. Teoria: Enquanto Lutero usou a escrita e a teologia para protestar, Giovanni usou a atitude e o exemplo, o que reforça a ideia de que a verdade se manifesta na vida real e no trato com as “almas viventes” (animais).

Observe que, apesar da precariedade das comunicações da época e dos séculos que separaram ambos, a sintonia de ideias sugere uma visita deles ao banco de dados do Kairós, quase que uma “inteligência artificial” que só se tornou palatável ao grande público no Século XXI.

*Compare as condutas de Giovanni e a de Jesus, baseadas em fatos históricos (CLIQUE AQUI)

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