
(Uma conversa informal com os pacientes oncológicos)
“Muitas vezes, a gente não percebe o mal que as decepções e as mágoas acumuladas fazem para o nosso bem-estar. Quando passamos anos guardando uma tristeza profunda (como o fim doloroso do meu casamento de mais de duas décadas), o nosso peito vira um depósito de sentimentos pesados. Eu acredito fortemente que o corpo sente essa sobrecarga emocional e que dores da mente podem acabar se refletindo na nossa saúde física. Na minha visão, o estresse acumulado por relacionamentos mal resolvidos pode se manifestar em áreas sensíveis do nosso organismo, como o aparelho reprodutor, funcionando quase como um pedido de socorro ou uma prova material de uma tristeza guardada que precisa ser liberada.
Eu vivi um momento muito difícil na pele. Minha próstata chegou ao tamanho de 90 cm³ de volume, quase quatro vezes o tamanho normal, e o meu hormônio PSA atingiu 15,9 — seis vezes o valor de referência. Para piorar a situação, eu estava com o coração fraco, cansado e infartado, o que me impedia de passar por procedimentos invasivos como uma biópsia para investigar a presença de um câncer. Sem poder seguir o caminho dos exames tradicionais naquele momento, percebi que precisava mudar a minha rota. Senti que, se não podia atuar diretamente na biologia por fora, precisava cuidar do meu universo interno. Decidi focar na minha saúde mental e no meu coração, adotando duas atitudes simples que transformaram a minha jornada.
「人を呪わば穴二つ」
(Hito wo norowaba ana futatsu)
Um antigo provérbio japonês dizia:
“Se você amaldiçoar alguém, cave dois buracos (túmulos)“.
Com isso em mente, a minha primeira atitude foi praticar o perdão verdadeiro. Decidi desapegar do passado, deixar as mágoas para trás e permitir que o universo cuidasse do tempo das coisas. Guardar ressentimento é como tomar veneno esperando que a outra pessoa passe mal. Quando a gente perdoa, o corpo relaxa e encontra um ambiente mais equilibrado para buscar a recuperação. A segunda atitude foi mudar a minha relação com o tempo. Parei de viver na urgência do relógio, que só traz pressa e ansiedade pelo amanhã, e passei a focar no momento presente, que é o tempo da qualidade e do agora.
Quem mais me ensinou a viver essa qualidade do agora foram os meus oito gatos de estimação. Os animais são verdadeiros anjos enfermeiros que convivem conosco para cuidar das pessoas. Nos dias em que eu estava mais fraco, os meus gatos deitavam ao meu lado e começavam a ronronar no meu colo. Esse som emite uma vibração suave que ajuda a acalmar o sistema nervoso, diminuir a tensão e aliviar a angústia. Eles oferecem um afeto puro, sem julgamentos ou cobranças, trazendo uma paz que apoia profundamente a nossa saúde mental.
Se você está enfrentando uma doença grave ou se faz parte de uma entidade que acolhe pacientes internados, convido-o a fazer essa reflexão: busque aliviar o coração de fardos antigos e pratique o perdão para trazer leveza à sua mente. E, se puder, permita-se ter o contato com um animal de estimação. Deixar um gato deitar no colo e ouvir o seu ronronar é um excelente tratamento auxiliar e integrativo, capaz de devolver o conforto, o acolhimento e a alegria de viver enquanto você segue os cuidados necessários com a sua saúde”.

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Nota do Autor:
Este artigo é um depoimento pessoal de encorajamento e empatia com pessoas que estão enfrentando um inimigo que eu também tive de encarar, não estou sugerindo que substituam tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, mas que acrescentem a ronronoterapia e a fé.
A ciência médica e os consensos de oncologia indicam que o câncer é uma doença complexa e multifatorial, causada por alterações genéticas e mutações no DNA das células. Fatores de risco conhecidos incluem predisposição genética, envelhecimento, tabagismo, exposição a agentes químicos ou radiação, infecções por vírus e hábitos de vida (como alimentação e sedentarismo).
O estresse prolongado e o sofrimento emocional podem enfraquecer o sistema imunológico e piorar a percepção de dor, mas não há comprovação científica de que sentimentos como a mágoa causem tumores diretamente ou que o câncer seja uma somatização exclusiva de conflitos amorosos no aparelho reprodutor.
Além disso, o aumento do volume da próstata (hiperplasia) e a elevação do PSA podem ocorrer por condições benignas ou inflamatórias (prostatites), e o diagnóstico definitivo de câncer requer avaliação médica detalhada e exames específicos.
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